É engraçado como podemos acumular tanta coisa dentro de nós. Existem momentos intensos ao longo da nossa vida, tanto bons como maus. Uns levam-nos ao extremo da felicidade, terminando com uma dor abdominal e nos músculos da cara de tanto rir, outros levam-nos ao extremo oposto e, quando acabam, sentimo-nos apenas vazios, sem mais lágrimas para serem derramadas, sem nada para dizer. Dizer que estes momentos terminam, provavelmente, não é a melhor desingnação. Um dia iremos sorrir sem nenhum motivo aparente, noutro sentir uma melancolia estranhamente familiar mas, mesmo assim, nada clara. Pergunto-me porquê, mas sei a resposta, embora não a queira saber.Podemos escrever no computador e apagar com um simples delete, podemos desenhar a lápis numa folha de papel e apagar tudo no momento seguinte com o toque suave de uma borracha, mas não podemos apagar o que vivemos enquanto vivemos. Nem a morte me garante que isso seja apagado, embora queira essa bem longe de mim. Ouve-se constantemente que é com os erros que aprendemos, até eu mesmo já disse outróra essas mesmas palavras. Que temos de ser fortes, porque fortes são os que se levantam depois da queda e que o amanhã vai ser melhor. Tudo isto seria verdade se um dia não tivesse sido mentira. Poderia acreditar nisto com todas as certezas, não obstante o facto de isto, como tudo na vida, não ser sempre igual. Podemos encarar o nascer do Sol com um sorriso, e mantê-lo vivo até ao aparecimento da Lua. Umas vezes sorriso sentido, outras sorriso mascarado. Somos tão difíceis de decifrar quanto a nossa sombra. Temos forma exterior, mas ninguém sabe os conflitos que moram no interior, a não ser que os digamos como é claro, o que nem sempre, ou quase nunca, acontece.
Essa sombra percorre os mesmo trilhos que nós e guarda dentro dela tudo o que recebemos do Mundo.
É nela que estão marcados os erros e as perfeições dos desenhos da nossa vida, embora não os consigamos distinguir no meio do seu tom cinzento. Foi sempre com esta sombra que me levantei depois da queda.
O pior de subir depois da queda, é que temos de subir mais ainda para nos sentirmos confiantes, tornando a próxima queda ainda maior. É bom pensar que é com os erros que aprendemos a viver melhor a vida e, de facto, é este pensamento que nos faz seguir em frente, evitando o pior e aproveitando as coisas boas da vida. Tudo isto é bonito até se tornar uma merda. Tudo isto é bom até acontecer algo terrível, semelhante ao que já vivemos. Embora tivessemos esquecido por vários momentos esse acontecimento, tivessemos pensado que tinha servido para nos fazer cresce, ele continuava lá refundido no meio do cinzento. Ao revivermos tal violência, somos atirados para uma queda ainda maior do que a que tinhamos anteriormente escalado. Motivação, confiança, determinação, é tudo uma inconstância, porque o podre está na sua base, foi a partir dele que foi necessário construir tais sentimentos. Pergunto-me apenas: Porquê? Porque é necessária esta violência física e psicológia que nos faz reviver tudo de novo, sentir fracos, que nos atira ao chão e pisa sem piedade?
Não vou pedir para andar e não cair, apenas não quero pisar o mesmo buraco duas vezes. Quero apenas cair, levantar-me e seguir em frente, deixando o buraco para trás, recordando-o, apenas, como mais uma linha torta num desenho que tento tornar perfeito.
Será possível?
Gosto do textoo :)
ResponderEliminarEu acho que existem muitos buracos e quantos mais aparecem, mais parecem faltar aparecer, mas nunca são o mesmo :)
Não são o mesmo porque não acontecem na mesma altura, porque não acontecem nas mesmas situações, mas, principalmente, porque a maneira como olhamos e lidamos para ele, mesmo quando caimos, já não é a mesma.
E ainda bem, porque quer dizer que nos ensinou alguma coisa :)
Não estou a dizer que nao doi, menos ou até mais que no anterior, mas é diferente, é sempre diferente.
Mas tambem nem sabemos se caimos..
Depende de muitas coisas e de nada, ao mesmo tempo
Ah.. E se caires, eu vou estar aqui para te levantar@
Amo.te ♥