sábado, 15 de janeiro de 2011

Compressão

Estou farto de rotinas, odeio-as. Canso-me de tentar sair delas e mesmo assim não consigo. Sinto-me triste com isto. Quero ser eu mesmo, ter mais liberdade. Tento? Sim. Consigo? Não. Estou furioso, angustiado. Tento tirar mais proveito do que me rodeia - e vejo tanto para tirar - mas, por outro lado, sou obrigado a seguir um caminho já pisado: o da segurança. De que vale querer se não se pode ter? Ou estamos a querer em demasia? Somos ingratos por querer mais do que temos? Não sei, mas sinto-me assim. Sinto-me encorralado desde muito pequeno. Não por mim, mas pela sociedade. Há que ser diferente, seguir instintos, sermos espontâneos. Fico feliz por quem o consegue - se tal existe - pois eu não o consigo fazer. Tento todos os dias e canso-me cada vez mais. Irrita-me o facto de o Futuro se tornar superior ao Presente. Não quero viver num mundo onde não existam consequências, longe disso. Há que respeitar os que nos rodeiam no dia de hoje, para que amanhã continuem ao nosso lado mas, há que dar vida a vida. Numa Era em que as máquinas evoluem à velocidade da luz, sinto-me a evoluir no mesmo sentido delas, à mesma, assutadora, velocidade. Qualquer dia espirro e sai-me um parafuso do nariz.
Será que ser a ovelha preta no meio das brancas é sinónimo de felicidade? É melhor ser rico e infeliz, ou ser feliz e pobre?

2 comentários:

  1. Tudo é preciso: rotina, segurança, liberdade, risco,...
    Não culpes a primeira porque te condiciona à segunda, e muito menos por te afastar da terceira e da última, porque não é verdade.

    Já experimentaste ficar tempo suficiente em sucessiva mudança, convivendo e sobrevivendo com a consequente necessidade continua de adaptação?
    De início até pode ser desafiante, novo, refrescante; mas em algum momento acabas por te sentir cansado, à deriva.
    E procuras, mesmo de forma inconsciente, um ponto seguro, para te agarrares a ti próprio.

    Essa rotina, enfadonha, limitante é o que por vezes define quem és, que mantêm a integridade de um ser que tem sede de mudança, mas que não deixa de ser ele mesmo.

    De facto não é ela que te limita, és tu próprio.
    Ela apenas te dá um fio condutor, para não te perderes, para que, mesmo que por vezes te afastes, saibas mais ou menos por onde seguir. E ainda mais importante: é ela que te permite recuperar forças para enfrentar o novo, e para lutares pelos teus sonhos.

    Além disso tb ela é adaptável, por ti.
    Se não estás feliz, modifica-a, mas nunca a largues. Arranja outras, afasta-te por um bocado quando tiveres oportunidade, experimenta mas volta sempre. Pois, o segredo não está cá nem lá, está num misto das duas, num equilíbrio dinâmico.

    E existem muitos caminhos para atingir um mesmo fim. Se calhar, em vez de olhares para os lados, desejoso de outros, paralelos ou prependiculares, olha em frente: porque com tudo nem te apercebes que as curvas e contra-curvas do teu, podem enganar-te e levar-te onde menos esperas.


    - E nessa altura todos nos sentimos assim, sufocados, cheios de vontade de Ser, Fazer, Sentir, tudo e qualquer coisa que não seja aquilo que nos é exijigo.
    Portanto volta lá para os livros, que sempre quero ver é o que fazes realmente quando te livrares deles ;)

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  2. Enfantiso as palavras de 'o teu pai.'.

    Largar o velho para querer o novo é tão errado como querer o novo e nada fazer.
    Porque o novo faz avançar, mas o velho forma e garante quem somos, ensina, aprende, leva e guarda, representa.

    Novidade sem continuidade é prazer de pouca dura, e mais tarde ou mais cedo, acaba por ser um prazer tão ou mais rotineiro que a mais antiga rotina.

    Toda a gente se sente presa, quer mais e diferente, novo e emocionante..
    Toda a gente já pensou em mudar, mudar as pessoas, mudar os gostos, mudar as atitudes, mudar a vida..

    Mas as pessoas, os gostos, as atitudes e a vida, não é mais do que o contexto para os limites que só nós próprios nos impomos..

    Aquilo e quem é suposto ficar, adapta-se e envolve-se, não exigindo nada mais da nossa parte do que o mesmo.. Porque toda a gente o sente, em alguma altura.

    Tudo o que vai, no fim, importar, é todo o mais e diferente, novo e emocionante, que se partilha com o velho e rotineiro, com quem esteve e está, como que numa cumplicadade que dá significado ao que se vive.

    Isso sim, é viver a sério.

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