terça-feira, 27 de abril de 2010

Fica

Não vás, fica. Volta para junto de mim e deixa-me sentir de novo o teu perfume a percorrer-me o corpo, deixa-me sentir o calor dos teus lábios nos meus e manter essa sensação até adormecer. Não vás, fica. Deixa-me dizer-te de novo o quanto te amo, agarrar-te e, com a ajuda do Sol, fazer uma única sombra no chão. Olhas para mim, dizes que me amas e eu...eu choro por dentro de emoção. Nunca pensei ouvir palavras mais sentidas do que as tuas, e que palavras. És a personagem que nasceu nos meus sonhos e deles saiu, ganhando vida própria e dando-me vida. Agarra-me com mais força e não digas nada, não é preciso agora. Preciso apenas de te sentir, o silêncio fala por si mesmo.
Olho para o relógio, é hora de ir embora.
Sei que amanhã te verei de novo, mas sinto um vazio a percorrer-me o corpo....vai e não olhes para trás, promete. Quero guardar bem o último abraço como imagem de fundo do meu pensamento, não quero ficar com um olhar agonizado pelo adeus. Amanhã será a continuação da junção de dois corpos. Amanhã será a continuação de um novo olhar, de um novo toque, de um novo sorriso, de uma nova vida. Amo-te....

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Liberta-te

Toma um banho, veste uma roupa leve e sai de casa. Não te deixes rodear por quatro paredes e aproveita o ar que se respira lá fora. Sente a pele a aquecer e as gotas de água a sairem dela, sente o vento a percorrer o labirinto dos teus cabelos e a soltar dele o cheiro do teu champô de frutas.
Corre.
Sente os teus pés em contacto com a terra. Parte para parte incerta, não tenhas medo. Descobre o desconhecido. Constroi um trilho com as tuas próprias pegadas, não te deixes levar por caminhos já feitos. Sê forte, sê diferente. Não te deixes pisar nem pises os outros, faz tudo com dignidade.
Continua a correr.
Estás suada, o que importa? Não te minimizes, és tu mesma. Deixa preconceitos de uns e a insignificância de outros. Quem fizer parte de ti trilhará ao teu lado sem se perguntarem porque o fazem.
Sentes o teu coração a sair-te da pele, volta para casa.
Despe a tua roupa suja e olha-te ao espelho. Essa é quem tu és, essa és tu sem máscaras. Adora-te, ama-te, não desistas.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Um dia a mais do que ontém

Acordo e não quero sair da cama. O dia lá fora brilha mas os meus olhos não querem abrir para o ver. Quero voltar a dormir, quero voltar para o lugar onde estava, lugar esse onde não pensava, não sorria, não chorava. Quero acordar e não me lembrar do Ontém, pois este não me deixa viver o Hoje e faz-me ter medo do Amanhã. Desejo abrir os olhos e não conhecer as paredes que rodeiam a minha cama,não conhecer o cheiro que entra no meu nariz e olhar um Mundo que os meus olhos nuncam viram. O mais assustador é que tenho quase tudo o que sempre quis nas minhas mãos e consigo sentir-me vazio a certas horas do dia.Quero ter coragem de olhar-me ao espelho, mexer os lábios, dizer que sou feliz e conseguir convencer-me disso, porque hoje ainda não o consegui. Continuo à espera de algo que tarda em chegar, algo que não sei se virá, algo que não sei se existe nem se realmente preciso.